Na noite do dia 07, o advogado e assessor parlamentar Jéferson Fernandes, apresentou um conjunto de dados sobre a violência juvenil. Ele colocou como elemento do aumento de jovens em conflito com a lei a ampliação desgovernada do consumo e tráfico de entorpecentes no meio juvenil. Jéferson também fez uma leitura da realidade socioeconômica da juventude e da falta de políticas de prevenção. A redução da maioridade penal na opinião dele é mais uma irresponsabilidade, pois não busca resolver o problema da violência, mas punir aqueles que são muitas vezes as vítimas da falta de políticas sociais e de inclusão. “adianta colocar esses jovens no presídio, na vala comum?, para se colocarem cada vez mais perto dos grandes professores do crime, o crime organizado e o narcotráfico?” questionou.
A participação dos estudantes foi um dos momentos mais fortes. Entre os elementos levantados pelos jovens, a defesa por mais investimentos na educação foi apontado como uma alternativa a diminuição da violência cometida por jovens. Segundo Luana Zanatta, presidente do Grêmio estudantil, PIO XII, “ a grande maioria dos jovens entre 16 e 18 anos que cometem crimes, não tiveram acesso a educação e são usados pelos traficantes e pelos bandidos para cometerem crimes” destacou.
No dia 08 pela manhã Assistente Social do Centro de Atendimento Sócio-Educativo de Santo Ângelo (CASE) interligado a FASE/RS - Fundação de Atendimento Sócio-Educativo do Rio Grande do Sul e Mestre em Educação, Leiza Olczevski apresentou o CASE e as medidas sócio-educativas implementadas aos jovens em conflito com a lei. “Temos exemplos de jovens que passaram pelo Case, por terem se envolvido em crimes e hoje estão inseridos na sociedade, com trabalho, família e uma vida digna” destacou. Ela afirmou que o índice de reincidência dos jovens que cumprem medidas sócio-educativas é de 35% o que comprova que as medidas são uma boa política de inserção destes adolescentes na sociedade. “ Se temos a possibilidade de recuperar 655 dos adolescentes, não podemos desistir e colocá-los na vala comum, como se todos não tivessem mais recuperação” defendeu.
Cristiano Lopes, Coordenador do Instituto de Cooperação Juvenil destacou que o seminário foi um inicio de conversa sobre o tema. Ele destacou que a entidade, juntamente com os grêmios estudantis e outras entidades juvenis, continuarão fazendo o debate junto a sociedade e que o seminário ficou marcado como um momento de compartilhar idéias. “Não vamos aceitar que um tema desta importância seja tratado com sensacionalismo e irresponsabilidade. Esse seminário foi uma ação local, articulada com outras ações do Fórum Nacional de defesa da criança e do adolescente e estaremos em sentinela, para tentar barrar essa proposta irresponsável.” Afirmou. Cristiano destacou que o sucesso do seminário foi fruto da dedicação dos grêmios estudantis, as entidades juvenis, escolas e do apoio da prefeitura municipal e da Cotrimaio que viabilizaram o material gráfico e a infra-estrutura necessária para o seminário. “Nossa entidade não tinha recursos para realizar o seminário, e a prefeitura e Cotrimaio foram solidárias com a causa da juventude” destacou.
A próxima luta do Icojuv, segundo Cristiano é fomentar a realização da Conferência Municipal de Juventude. “A resposta da juventude no seminário, mostra que Três de Maio precisa de espaços de dialogo entre o poder público e a juventude, e a forma mais correta é criar um espaço para que a juventude possa opinar e construir políticas de juventude, para que tenham oportunidades de lazer, cultura, educação e geração de renda” Segundo Cristiano a realização de uma conferência municipal é o primeiro passo para a concretização das demandas juvenis na cidade jardim.
André Ratje
Diretor de Comunicação do Instituto de Cooperação Juvenil
“Teus atos te inventam, nossos atos reinventam o mundo”
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